Síntese, caracterização e avaliação biológica comparativa entre biomateriais poliméricos a base de PLA com ação anti-inflamatória, visando o tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica
A engenharia de tecido nervoso envolve o desenvolvimento de biomateriais capazes de interagir de maneira específica com o sistema nervoso, visando à criação de microambientes favoráveis à sobrevivência, proteção e regeneração neuronal. No contexto da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa progressiva caracterizada pela degeneração dos neurônios motores, estratégias terapêuticas inovadoras tornam-se necessárias, uma vez que os tratamentos atualmente disponíveis não são capazes de interromper nem a progressão da enfermidade nem a reversão dos sintomas. Dentre os biomateriais investigados para aplicações neurais, o ácido poli(láctico) (PLA) tem se destacado devido à sua biocompatibilidade, biodegradabilidade e propriedades físico-químicas favoráveis. Arcabouços à base de PLA podem fornecer suporte estrutural às células neurais, além de atuar como sistemas carreadores de moléculas bioativas com atividade anti-inflamatória, contribuindo para a modulação do ambiente lesado. A incorporação de compostos anti-inflamatórios em biomateriais de PLA visa associar estabilidade estrutural à ação biológica, favorecendo processos regenerativos. Com base nessas premissas, o presente trabalho teve como objetivo avaliar biomateriais à base de PLA para aplicações em engenharia de tecido nervoso, com foco em propriedades anti-inflamatórias e biocompatibilidade. A abordagem experimental envolveu a síntese dos biomateriais por eletrofiação, caracterização físico-química e avaliação biológica por meio de ensaios de citotoxicidade in vitro. Os resultados demonstraram que os biomateriais à base de PLA não apresentaram efeitos citotóxicos significativos, evidenciando elevados índices de viabilidade celular e adequada compatibilidade celular. Os resultados obtidos indicam que biomateriais à base de PLA com propriedades anti-inflamatórias podem apresentar excelente potencial para aplicação em estratégias terapêuticas voltadas ao tratamento da ELA, especialmente no que se refere à modulação da resposta inflamatória e ao suporte à regeneração neural.