Gestão de Tensão em Redes Ativas MT/BT com Flexibilidade de Potência Reativa de Inversores Fotovoltaicos e Operação Autônoma do SVR
A elevada penetração de geração fotovoltaica (FV) aumenta a variabilidade da tensão e o esforço operacional dos equipamentos convencionais de regulação em redes ativas de distribuição. Esta tese apresenta uma metodologia offline que utiliza a flexibilidade dos inversores fotovoltaicos conectados à baixa tensão como recurso de suporte de tensão dependente da localização, complementando a atuação autônoma dos reguladores de tensão a degraus (SVRs) instalados na média tensão. Uma otimização multiperíodo, baseada no modelo de fluxo de potência em ramos e explícita por fase, identifica requisitos sistêmicos de potência reativa. Um classificador contextual baseado em Q-learning tabular, com fator de desconto nulo, converte esses requisitos em modos locais fixos por equipamento, e um refinamento determinístico avalia subconjuntos cumulativos dos inversores provisoriamente ativos. A metodologia é avaliada em um alimentador integrado de média e baixa tensão (MT/BT), com topologia semelhante à do sistema-teste IEEE de 13 barras e perfis de demanda, irradiância e temperatura de Santo André, Brasil. As configurações são reavaliadas cronologicamente com a lógica de compensação de queda de linha por fase do SVR, sem impor as trajetórias de tap obtidas durante a identificação nem empregar despacho centralizado contínuo. Oito condições sazonais foram analisadas de forma independente. Em quatro delas, a configuração seletiva aceita reduziu duas operações diárias do SVR; nas outras quatro, a regra de não ação preservou a referência. A operação uniforme dos inversores com fator de potência fixo de 0,96 não reduziu as operações em nenhuma condição e aumentou a atuação do SVR em seis delas. Na condição dominante de verão, apenas 7 dos 44 inversores físicos operaram fora do fator de potência unitário. Essa configuração reduziu as operações de 37 para 35, ou 5,41%, e melhorou simultaneamente o desvio de tensão, a diferença de magnitude entre as fases e as perdas totais. Os resultados mostram que a eficácia do suporte de tensão depende da localização e do modo de operação dos inversores, e não apenas da capacidade reativa disponível.