A CIDADE CONCEDIDA: ESTADO, NATUREZA, INFRAESTRUTURA E MUDANÇA DE METABOLISMO NO RIO PINHEIROS
O trabalho investiga as transformações recentes na relação entre Estado, natureza e infraestrutura urbana a partir do caso do Programa Novo Rio Pinheiros, implementado pelo Governo do Estado de São Paulo, e de suas estratégias de revitalização e gestão das margens fluviais. A pesquisa analisa como esse programa, apresentado como uma política de revitalização ambiental e universalização do saneamento, expressa uma reconfiguração do metabolismo urbano, na qual a natureza é incorporada às dinâmicas de valorização e capitalização do espaço. A partir do referencial teórico da Ecologia Política Urbana, o estudo busca compreender de que modo o Estado assume novas formas de atuação mediadas por contratos, parcerias e instrumentos financeiros, configurando uma cidade concedida. Como parte da investigação, realiza-se uma análise comparativa com o caso do Rio Mapocho, em Santiago do Chile, observando as estratégias de revitalização e de governança territorial implementadas em ambos os contextos. A comparação permite identificar convergências e especificidades nos processos de financeirização, valorização e capitalização das infraestruturas, além da transição em curso do metabolismo urbano, que redefine o papel do Estado e a função pública da natureza urbana nas metrópoles latino-americanas.