Roteiros formativos tecnológicos e profissionais para capacitação em Energia Solar Fotovoltaica
O setor de energia solar fotovoltaica continua a apresentar uma expansão expressiva em escala mundial, consolidando-se como elemento central na transição energética e impulsionando tanto a geração de empregos quanto a diversificação da matriz elétrica. Em 2022, a China liderava em capacidade instalada, seguida por Estados Unidos, Índia e Brasil, que ocupava a 4a posição mundial. No Brasil, o setor empregava cerca de 241 mil profissionais, atuando principalmente em venda de equipamentos, instalação, operação e manutenção de sistemas fotovoltaicos. A pesquisa realizada pelo Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) junto a empresas do setor contou com 155 respostas válidas e mostrou que a maioria delas possui menos de 10 funcionários, com forte concentração das atividades na instalação. Esse cenário revela lacunas em áreas estratégicas como planejamento, análise de viabilidade e gestão de projetos. No campo acadêmico, cursos sobre sistemas fotovoltaicos ainda apresentam limitações significativas, sendo ofertados majoritariamente como formações iniciais e continuadas ou especializações. Muitos profissionais ingressam na área com formação em energia e eletrotécnica, adquirindo conhecimento específico do setor por meio da prática ou de treinamentos internos, reflexo da escassa presença de disciplinas estruturadas nos currículos de graduação. Para responder a esse desafio, este estudo desenvolveu uma matriz curricular de referência, atribuindo pesos de 1 a 10 a tópicos-chave. Foram analisados os projetos pedagógicos de 28 cursos de graduação em Engenharia de Energia, Engenharia Elétrica e Engenharia de Energias Renováveis, selecionados a partir do Ranking Mundial de Universidades 2024 do Times Higher Education. A avaliação mostrou que a maioria das disciplinas com conteúdos de energia fotovoltaica é optativa, restringindo a formação ampla dos estudantes. Apenas uma instituição alcançou média ponderada superior a 4,5 pontos, enquanto as demais variaram entre 0,3 e 3,2. O diagnóstico
evidencia a urgência de revisão curricular para fortalecer a formação profissional e apoiar uma
transição energética eficiente no Brasil.