A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE EXTRAÇÃO DE PETRÓLEO SOB A ÓTICA DA MATRIZ INSUMO-PRODUTO: uma simulação entre cenários factual e contrafactual
A presente tese analisa a importância estratégica do setor de extração de petróleo para a economia brasileira por meio da aplicação da matriz insumo-produto (MIP), metodologia criada e com a aplicação matemática desenvolvida por Wassily Leontief (1936). A análise foi conduzida com base em dois cenários: C1, factual, com a presença do setor de petróleo (setor 5 da MIP), e C2, contrafactual, simulando sua ausência por meio de desindustrialização induzida e substituição da oferta interna por importações, em conformidade com os princípios do equilíbrio geral de Walras (1874). Os dados utilizados foram extraídos da matriz insumo-produto, com 68 setores e 128 atividades para o ano-base de 2015, elaborada a partir das Contas Nacionais do IBGE (2017) e atualizada em 2021 pelo Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo – NEREUS/USP para o ano-base 2018. Foram avaliados os efeitos da presença ou ausência do setor de petróleo, sobre multiplicadores de produção, emprego e renda, incorporadas as contribuições teóricas de Miller e Blair (2009), com ênfase nas cadeias produtivas mais impactadas. A análise foi complementada pelo cálculo dos índices de ligação para frente e para trás, conforme as contribuições de Rasmussen (1956) e Hirschman (1958), identificando o setor como altamente integrado à estrutura produtiva nacional. Os resultados mostram que o petróleo é insumo fundamental para diversos segmentos econômicos, incluindo agricultura (1), abate e produtos de carne (8), outros produtos alimentares (10), refino de petróleo (19), biocombustíveis (20), energia elétrica (38), comércio e reparação (41) e saúde privada (65) e a indústria de transformação como um todo, sendo também responsável por significativa geração de receitas públicas via royalties e participação governamental. A ausência de um substituto energético viável para o petróleo em escala produtiva reforça sua posição estratégica tanto no sistema econômico brasileiro quanto nas dinâmicas globais, sendo um componente essencial para a formulação de políticas públicas por governos nacionais e organismos transnacionais. Como desdobramento futuro, sugere-se a integração da abordagem insumo-produto com o modelo de substituição de importações desenvolvido pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a fim de simular cenários alternativos de transição energética sem comprometer o equilíbrio produtivo interno.