Eletro-oxidação de lactose em meio alcalino sobre eletrodos de Au, Pt, Pd e Ag e superfícies modificadas por deposição metálica
Este trabalho investiga a valorização da lactose, um carboidrato abundante e muitas vezes resíduo proveniente da indústria de laticínios, por meio da sua conversão eletroquímica em produtos de maior valor agregado, como o ácido lactobiônico. Este ácido aldônico possui ampla aplicação nas indústrias alimentícia e farmacêutica devido às suas propriedades antioxidantes e quelantes. O estudo foca na eletro-oxidação desse dissacarídeo em meio alcalino, comparando o desempenho de eletrodos de ouro (Au), platina (Pt), paládio (Pd) e prata (Ag), além de superfícies de prata modificadas por metais nobres. Foram utilizadas técnicas como voltametria cíclica e espectroscopia de infravermelho (FTIR in situ), os quais revelaram que a platina apresenta atividade em potenciais mais baixos (~0,2 V vs. ERH), enquanto o ouro em potenciais (~0,3 V vs. ERH). O paládio, por sua vez, demonstrou um comportamento similar em altos potenciais (~0,6 V vs. ERH). A análise por FTIR confirmou a presença de carboxilatos e de subprodutos como oxalato e formiato, que indicam a clivagem da cadeia de carbono em potenciais mais elevados. Um ponto central do trabalho é a baixa eficiência da prata pura em baixos potenciais na oxidação da lactose, em potenciais muito altos (~0,9 V vs. ERH). Para superar essa limitação, foram desenvolvidos eletrodos bimetálicos através da deposição de pequenas quantidades de metais nobres sobre a superfície da prata. Os resultados demonstraram que os eletrodos bimetálicos de AgAu, AgPt e AgPd, obtidos pelo método de deposição anôdica de metais nobres em eletrodos de prata adotado neste trabalho, apresentaram início de potencial de oxidação mais negativos comparados ao eletrodo de prata puro e do eletrodo de paládio puro, antecipando o início da reação de oxidação.