Avaliação do emprego da microalga Euglena gracilis na biorremediação de contaminantes emergentes (antibióticos) em associação ao tratamento terciário de efluentes
A contaminação por contaminantes emergentes, como antibióticos e hormônios, constitui um problema ambiental global, uma vez que as estações de tratamento de esgoto (ETEs) não promovem sua remoção completa, possibilitando sua liberação em corpos hídricos e consequentes processos de bioacumulação e biomagnificação. Nesse contexto, microalgas têm sido investigadas como alternativa para tratamento terciário, por meio de mecanismos como bioadsorção, biodegradação e bioassimilação, sendo necessária a avaliação específica de cada espécie. O presente estudo propõe a utilização de Euglena gracilis, selecionada pela ausência de estudos envolvendo a remoção de fármacos por essa espécie e por seu potencial previamente descrito na remoção de metais pesados e nutrientes, além da possibilidade de aproveitamento da biomassa para produção de biocombustíveis. O objetivo é avaliar a remoção de sulfametoxazol (SMX) e trimetoprim (TMP), antibióticos amplamente utilizados, em efluente secundário de ETE. Testes de efeito inibitório demonstraram ausência de inibição do crescimento de E. gracilis em até 100 mg·L⁻¹ dos respectivos antibióticos. Amostras de biomassa e sobrenadante foram armazenadas para quantificação por HPLC e investigação do mecanismo de remoção; contudo, a análise foi temporariamente inviabilizada por indisponibilidade do equipamento, estando atualmente em fase de validação metodológica. Estudos futuros incluem ensaios em fotobiorreator tubular com meio sintético e efluente real, além da avaliação da remoção de nutrientes, coliformes totais e Escherichia coli, e da caracterização da biomassa quanto ao teor lipídico e perfil de ácidos graxos.