PPGPRI PÓS-GRADUAÇÃO EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC Téléphone/Extension: Indisponible http://propg.ufabc.edu.br/pri

Banca de DEFESA: TUANY ALVES NASCIMENTO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : TUANY ALVES NASCIMENTO
Data: 29/10/2025
HORA: 10:00
LOCAL: on line
TÍTULO:

POLÍTICA EXTERNA E MEIO AMBIENTE NO GOVERNO BOLSONARO E O ACORDO MERCOSUL UNIÃO EUROPEIA


PÁGINAS: 105
RESUMO:

Esta dissertação analisou as relações da burguesia agrária brasileira com as políticas de desmatamento e de comércio internacional do governo Bolsonaro diante das pressões externas da Comissão Europeia. O estudo tomou como referencial teórico as contribuições de Nicos Poulantzas, acerca do bloco no poder, e de Nancy Fraser, acerca do conceito de capitalismo como ordem social institucionalizada. A metodologia adotada foi a análise de conteúdo, conforme Bardin, a partir de entrevistas, documentos institucionais e declarações na imprensa. A hipótese explorada é a de que as pressões imperialistas para a adoção de políticas ambientais afetam os interesses político-econômicos da burguesia brasileira e evidenciam o fracionamento no setor do agronegócio brasileiro. Constatou-se que a política externa da Comissão Europeia, especialmente o Pacto Verde e a difusão de compromissos ambientais, passou a balizar as negociações com o Mercosul, especialmente em resposta à política ambiental de Bolsonaro, que projetou negativamente a imagem do Brasil no cenário internacional. Observou-se que a CNA, a Abag e a Abiec apoiaram a conclusão do Acordo Mercosul-União Europeia, mas que a EUDR foi compreendida pelas entidades como medida protecionista, enquanto o CBAM foi interpretado como oportunidade de inserção competitiva, levando à valorização da narrativa de sustentabilidade do agronegócio. Esse comportamento evidenciou a posição de subordinação conflitiva da burguesia interna ao imperialismo. Contudo, o consenso nessa fração de classe encontra limites na rejeição ao princípio do desmatamento zero, compromisso assumido por tradings, em razão da legitimação do desmatamento legal pelo Código Florestal Brasileiro. Os resultados também indicaram que a repercussão negativa da política ambiental de Bolsonaro afastou a parcela do agronegócio representativa da burguesia interna do apoio à sua reeleição, uma vez que os custos políticos e comerciais superaram eventuais ganhos. Conclui-se que a questão ambiental constitui hoje um dos núcleos da crise capitalista, na medida em que a emergência climática desestabiliza o plano de acumulação de capital. Nesse contexto, a burguesia agrária brasileira enfrenta um impasse entre a necessidade de preservação ambiental e as exigências de expansão da produção, recorrendo a estratégias discursivas de sustentabilidade para manter a acumulação. A análise evidencia, assim, que a lógica neoliberal de mercantilização da natureza tende a intensificar os conflitos entre conservação ambiental e reprodução do capital, conformando o ambiente político e econômico em que se insere o agronegócio brasileiro.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - Interno ao Programa - 2187291 - TATIANA BERRINGER DE ASSUMPCAO
Membro Titular - Examinador(a) Interno ao Programa - 1453189 - GIORGIO ROMANO SCHUTTE
Membro Titular - Examinador(a) Externo à Instituição - PEDRO PAULO ZAHLUT BASTOS
Membro Suplente - Examinador(a) Interno ao Programa - 2333293 - DIEGO ARAUJO AZZI
Membro Suplente - Examinador(a) Externo à Instituição - KAREN DOS SANTOS HONÓRIO - UNILA
Notícia cadastrada em: 20/10/2025 18:46
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