Efeitos da Designação de Facções Criminosas Sul-Americanas como Organizações Terroristas pelos Estados Unidos: Impactos para a Cooperação Penal Internacional
Este trabalho investiga os efeitos jurídicos, políticos e diplomáticos decorrentes da designação de organizações criminosas sul-americanas como grupos terroristas por potências estrangeiras, especialmente pelos Estados Unidos. A partir de uma abordagem qualitativa — fundamentada no Realismo Político, na Teoria da Securitização e no Direito Penal Transnacional — o estudo examina como tais designações reconfiguram a arquitetura da cooperação penal internacional, produzindo impactos sobre extradição, assistência jurídica mútua, bloqueio de ativos e articulação entre Ministérios Públicos e autoridades centrais. A análise empírica dos casos das FARC, ELN, AUC e Sendero Luminoso evidencia que a classificação como “terrorista” não constitui mero ato administrativo, mas instrumento performativo de poder, capaz de gerar efeitos extraterritoriais, tensões diplomáticas, assimetrias normativas e riscos à soberania jurídica dos Estados da região. Ao mesmo tempo, a pesquisa discute as possíveis e iminentes designações de facções brasileiras — como PCC e Comando Vermelho — à luz das experiências comparadas, avaliando se tal estratégia fortalece a repressão ao crime transnacional ou, inversamente, compromete a coordenação regional e politiza mecanismos de cooperação. Ao articular segurança internacional, geopolítica e direito penal transnacional, a dissertação busca oferecer subsídios analíticos para compreender os limites e as potencialidades da juridificação contemporânea das ameaças criminais.