Este trabalho tem como objetivo explorar os fatores que impulsionam a expansão da Marinha do Exército de Libertação Popular (MELP) da China sob a liderança de Xi Jinping (2013-2022), com destaque para a situação da ilha de Taiwan. Atualmente, a MELP é a maior marinha do mundo em termos numéricos, ultrapassando a marinha dos EUA. A evolução de uma marinha voltada para operações regionais e costeiras para uma força com capacidade oceânica foi desencadeada por uma decisão política, influenciada por considerações geopolíticas. Por meio da análise das teorias realistas, tanto defensivas, como defendida por Waltz, quanto ofensivas, de Mearsheimer, além da relevância do uso do mar e de conceitos clássicos dos teóricos do poder marítimo, podemos identificar que o ambiente marítimo oferece tanto oportunidades quanto desafios para a China. Nos últimos anos, a indústria naval chinesa tem demonstrado uma notável capacidade de construir embarcações, tanto comerciais quanto militares, levando a China a se tornar uma potência global na construção naval. Entretanto, no entorno estratégico chinês, a Coreia do Sul e o Japão ocupam, respectivamente, as segunda e terceira colocações na lista de construção naval, sendo importantes aliados dos EUA. Além disso, há uma intensa competição por semicondutores de alta tecnologia na região, o que acentua a presença dos EUA e projeta o conflito geopolítico entre China e EUA em uma escala global. A localização de Taiwan a torna uma base estadunidense crucial para limitar e isolar a China, ameaçando suas rotas comerciais. Contudo, a reunificação de Taiwan garantiria à MELP uma infraestrutura para assegurar a proteção de suas linhas de comunicação marítima, que são vitais para o comércio chinês, rompendo o cerco na primeira cadeia de ilhas e tornando o Estreito de Taiwan intransitável para a marinha dos EUA. Em suma, esta dissertação busca demonstrar que a expansão e a modernização da MELP visam defender os interesses nacionais e regionais da China, sendo Taiwan um ponto focal nesse contexto. Além de simbolizar o desejo de reunificação nacional, a ilha serve como uma plataforma que possibilita o cerco do território continental chinês por potências estrangeiras, constituindo um desafio multifacetado que justifica as decisões do governo de Xi Jinping em investir na modernização e expansão da MELP.