Crédito, Valor e Economia Política: Henry Dunning Macleod e a reconstrução da ciência econômica no capitalismo financeiro do século XIX
O presente trabalho insere-se no campo da Economia Política e da História Econômica a partir da tradição do materialismo histórico, compreendendo as formulações econômicas como expressões historicamente determinadas pelas relações sociais, institucionais e materiais do capitalismo. A pesquisa tem como objetivo analisar a obra de Henry Dunning Macleod, especialmente The Theory and Practice of Banking ([1856] 1866), entendendo-a como expressão intelectual das transformações associadas à consolidação do sistema bancário britânico e à crescente centralidade do crédito no capitalismo do século XIX. O estudo parte da hipótese de que a teoria do crédito desenvolvida por Macleod representa historicamente o processo de juridificação da riqueza, no qual direitos abstratos, como títulos financeiros e instrumentos fiduciários, passam a assumir posição estrutural na circulação do capital. Diferentemente da tradição clássica de Adam Smith e David Ricardo, Macleod redefine a economia como ciência das trocas de direitos, deslocando o eixo da análise econômica da produção material para a circulação, dada a incorporação de créditos, títulos e obrigações como formas legítimas de riqueza. Metodologicamente, a pesquisa articula análise historiográfica, exegese textual e História Econômica, buscando compreender a obra do economista em seu contexto histórico, institucional e intelectual. Argumenta-se que sua elaboração teórica reflete a expansão das instituições bancárias, por meio do fortalecimento das finanças e da autonomização das formas financeiras de circulação no capitalismo britânico oitocentista. Conclui-se que a obra de Macleod não constitui apenas uma formulação econômica isolada, mas a expressão histórica das transformações estruturais da realidade britânica e da crescente centralidade do capital financeiro na organização da economia moderna.