AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E OS DESAFIOS PARA O ENSINO DE FILOSOFIA.
O processo de subjetivação do negro como não-ser está fundado na ideologia do branqueamento e na linguagem, como mecanismos de controle e dominação da vida real. O colonialismo não limitou a expropriação da produção social de riqueza, pois a sua atuação mais significativa decorreu no processo de dominação do universo mental dos colonizados, através do controle das ferramentas de autodefinição de um povo, como a arte, a literatura e a língua que levaram a um processo de alienação. Além disso, a ideologia do branqueamento, aliada à linguagem, buscou reforçar a dominação colonial, fundada na racialização dos corpos e na miscigenação, como processo de eliminação dos traços fenotípicos africanos, e na desvalorização da cultura africana, implicando na construção de relações étnico-raciais negativas. O reconhecimento desses fenômenos,implica na desnaturalização de narrativas, imagens, atitudes e valores moldados no processo de colonização. Desse modo, pretende-se analisar como a população negra buscou superar o racismo, o etnocídio e o epistemicídio, por meio do Movimento Negro e suas organizações. Pensando nisso, tenciona-se propor um ensino de filosofia crítico do eurocentrismo assentado na afroperspectividade em direção a uma educação das relações étnico-raciais, comprometida com a alteridade e a ancestralidade como referencial epistêmico.