ESTUDO SOBRE O PARADOXO DA SOCIOEDUCAÇÃO E O ENSINO DE FILOSOFIA: LIMITES E POSSIBILIDADES DA PRÁTICA PEDAGÓGICA
O presente trabalho apresenta uma pesquisa desenvolvida com adolescentes em cumprimento
de medida socioeducativa na Fundação CASA, tendo como objetivo analisar criticamente o
ensino da disciplina Projeto de Vida no contexto da socioeducação, problematizando seu
sentido e sua efetividade para jovens em situação de vulnerabilidade social e em conflito com
a lei. A investigação parte da experiência docente da pesquisadora e busca compreender como
o ensino da disciplina, quando orientado por uma abordagem filosófica, pode romper com a
lógica prescrita pelo Currículo Paulista e pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que
tende a formar o aluno como “empreendedor de si mesmo” sob uma perspectiva neoliberal,
deslocando para o indivíduo a responsabilidade exclusiva por seu sucesso ou fracasso. Para
subsidiar essa análise, foram considerados registros institucionais, observações do cotidiano
escolar e interlocuções com profissionais da educação, possibilitando identificar os principais
entraves presentes no processo de escolarização de adolescentes privados de liberdade. Como
resultados deste estudo, evidenciamos que a abordagem tradicional da disciplina, orientada pela
lógica neoliberal, meritocrática e individualizante, por estar descolada da realidade dos
adolescentes mostrou-se pouco eficaz para o desenvolvimento do pensamento crítico. Em
contrapartida, práticas pedagógicas dialógicas, que articulam a Filosofia a elementos da cultura
juvenil, especialmente o rap, demonstraram maior potencial para promover o
autoconhecimento, a consciência social e a ressignificação do Projeto de Vida. Portanto,
conclui-se que a efetividade da socioeducação exige uma reconstrução pedagógica que supere
o caráter disciplinar e conformador da educação, reconhecendo os adolescentes como sujeitos
históricos e possibilitando a construção de projetos de vida críticos e emancipatórios.