Cadeis Globais de Valor
A globalização, a partir dos anos 1980, evoluiu e possibilitou o surgimento das
cadeias globais de valor, que significou uma reorganização das estruturas produtivas ao
redor do mundo. Com o aumento da divisão internacional de trabalho, empresas de
diferentes países passaram a se conectar em uma rede de produção, onde cada uma
contribuiu com uma parte do processo produtivo. Tal rede envolve e integra empresas e
países por todo o globo na produção de bens e serviços. Essa integração permite a
fragmentação das atividades econômicas, possibilitando a especialização em
determinadas etapas da produção e facilitando a cooperação internacional. (BALDWIN,
2011).
Neste contexto, as economias subdesenvolvidas têm sido impactadas de diversas
maneiras pelas cadeias globais de valor. Se, por um lado, a integração às cadeias globais
de valor pode trazer benefícios como o acesso a tecnologias avançadas, mercados mais
amplos e oportunidades de emprego — levando seus defensores a incentivarem uma
participação irrestrita de economias subdesenvolvidas nas cadeias globais como principal
forma de superação do subdesenvolvimento (Gereffi, Gary, et al., 2004) —, não
considerando que seu processo de evolução do capitalismo é fonte de assimetria entre os
países. Por outro lado, os críticos à participação irrestrita das cadeias globais de valor
argumentam que tal maneira de inserção é desfavorável às economias periféricas, pois
estas passam a enfrentar desafios, tais como a dependência de empresas estrangeiras, a
competição desleal e a vulnerabilidade a choques externos que podem desestabilizar a
estrutura produtiva e comercial dessas economias (CARDOSO & REIS, 2018).