COMPLEXIDADE ECONÔMICA E VANTAGENS COMPARATIVAS SUSTENTÁVEIS: CONTRIBUIÇÕES DO QUÍMICO PARA O INCREMENTO DA SOFISTICAÇÃO PRODUTIVA E CRESCIMENTO VERDE NO BRASIL
A transição para uma economia de baixo carbono deixou de ser um embate teórico e passou a representar efetivamente um elemento de competitividade entre os países. Nações que não aderirem a um modelo de produção que mitigue impactos ambientais ou perderão relevância no mercado internacional ou, dado seu estágio de elevado desenvolvimento, irão impor regras e padrões de sustentabilidade tais quais aumentem ainda mais sua hegemonia. Nesse sentido, identificar produtos com alto grau de sofisticação produtiva e setores com proximidade em cadeias já desenvolvidas e com vantagens competitivas sustentáveis são fatores-chave para elaboração de políticas industriais que visam o crescimento econômico e o desenvolvimento verdadeiramente sustentável, especialmente para países em desenvolvimento. Com base na Teoria da Complexidade Econômica, o presente trabalho fez uma análise da evolução da perda de complexidade produtiva brasileira e identificou o setor com elevado potencial para o crescimento verde: a indústria química de base renovável, foco do estudo. Isso, contudo, só foi possível graças ao desenvolvimento do setor de biocombustíveis no Brasil, sobretudo a partir da década de 1970, por meio de políticas públicas que incentivaram a produção, em grande escala, de etanol, que é também insumo direto para a indústria química. Conclui-se que existe um grande potencial para otimizar ainda mais a interligação entre os setores de biocombustíveis e químico com base em produtos sustentáveis que apresentam uma relevante projeção de demanda global, como o combustível sustentável de aviação e as resinas biomateriais, podendo apoiar o Brasil a se recolocar no mapa de competitividade industrial no mundo.