PANDEMIA, DESIGUALDADES E VIOLÊNCIA DE GÊNERO: A VIVÊNCIA DA COVID-19 POR MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA NO CENTRO E EM CIDADE TIRADENTES, SÃO PAULO
A pandemia da Covid-19 evidenciou e aprofundou desigualdades estruturais, impactando de forma desproporcional mulheres em situação de vulnerabilidade e a violência de gênero. A mobilidade urbana, essencial para o acesso ao trabalho, serviços e redes de apoio, tornou-se mais restrita durante o período pandêmico, revelando desigualdades territoriais e de gênero nos modos de vida das mulheres. Esta dissertação foi desenvolvida no contexto do projeto internacional “Impacto da COVID-19 no modo de vida, mobilidade e acessibilidade dos grupos marginalizados” (ICOLMA), que investigou os efeitos da pandemia sobre mobilidade, acessibilidade e subsistência de grupos marginalizados na África do Sul, Alemanha e Brasil. No contexto brasileiro, o projeto concentrou-se na Região Central e em Cidade Tiradentes, em São Paulo, utilizando uma ferramenta de pesquisa baseada em mapas (Map Based Survey) aplicada em 113 entrevistas realizadas em parceria com movimentos de mulheres. A partir dos dados produzidos pelo ICOLMA, esta pesquisa analisa a vivência da pandemia por mulheres em situação de vulnerabilidade que relataram violência de gênero, com foco nas mudanças no acesso a serviços e nas estratégias de cuidado e sobrevivência construídas nos territórios. A metodologia articula revisão bibliográfica e análise qualitativa de entrevistas semiestruturadas e georreferenciadas. Os resultados indicam que a pandemia intensificou vulnerabilidades preexistentes, ampliando dificuldades de acesso ao trabalho, aos serviços públicos e às redes de apoio, além de agravar a exposição à violência de gênero. Como contribuição, o estudo evidencia a importância de incorporar perspectivas feministas interseccionais ao planejamento urbano e às políticas públicas, demonstrando a relação entre mobilidade, território e violência de gênero.