Os nexos entre Estado, finanças e logística na reestruturação do espaço nacional:
um olhar a partir do Arco Norte e do corredor logístico do Tapajós
O Brasil passa atualmente por amplas transformações socioespaciais decorrentes da reprimarização da economia. O setor agrícola corporativo exerce papel central nesse processo, especialmente, o cultivo de soja, na expansão da área cultivada e das fronteiras agrícolas. Embora essa reestruturação do espaço nacional tenha sido objeto de diversos estudos nos últimos anos, ainda é pouco analisada a partir da articulação entre logística e financeirização da infraestrutura. Nesse sentido, esta tese tem como objetivo analisar o reordenamento espacial produzido pelo e para o setor agrícola corporativo no Centro-Oeste e Norte do país, a partir dos nexos entre Estado, finanças e logística. Para isso, investiga o Arco Norte, agenda nacional de infraestrutura logística, e os projetos e concessões do Corredor Logístico do Tapajós, integrante dessa agenda.
A hipótese da pesquisa é que a neoliberalização do Estado, orientada pela lógica financeira e logística, catalisou o avanço, histórico e contínuo, das fronteiras agrícolas. Ao mesmo tempo, houve um processo de privatização da provisão de infraestrutura, transformando-a em espaço de acumulação de capital e alterando suas formas de planejamento e gestão. Essas dinâmicas combinadas trazem novos conteúdos às tendências de fragmentação da nação.
A pesquisa baseia-se numa revisão das diversas literaturas sobre as relações imbricadas entre Estado, logística e financeirização da infraestrutura, assim como como planos, leis e programas, dados secundários de órgãos públicos e instituições privadas, entrevistas e análises cartográficas.
Os resultados indicam que a financeirização da infraestrutura tende a orientar a provisão segundo um padrão desigual, concentrado em espaços competitivos, como os núcleos e fronteiras do setor agrícola corporativo. Além disso, observou-se uma crescente articulação entre Estado, finanças e logística, que através de novas formas de planejamento do território e de provisão de infraestrutura, reestruturam o espaço nacional e regional, e renovam as tendências à fragmentação da nação.
A tese contribui, portanto, para os estudos urbanos e regionais ao propor uma nova interpretação da reestruturação do espaço nacional a partir dos nexos entre Estado, finanças e logística.