The making of assetization: a construção social dos ativos públicos no Brasil
O avanço da financeirização sobre o espaço urbano tem reconfigurado profundamente o planejamento e a gestão do território, ao ativar um processo de conversão de bens e fluxos públicos em ativos financeiros negociáveis, transformando as cidades em uma nova fronteira de valorização — especialmente em contextos de austeridade fiscal, nos quais o Estado passa a operar como promotor de engenharias financeiras para contornar restrições orçamentárias. A securitização é um mecanismo que opera sob essa racionalidade, articulando agentes públicos e privados na criação de uma infraestrutura institucional voltada à gestão e circulação desses ativos.
As empresas públicas de securitização assumem papel estratégico nesse cenário, mediando a transformação de ativos urbanos e redesenhando as formas de governança e financiamento das políticas urbanas. Ao fazer isso, tensionam os fundamentos do planejamento, deslocando o foco de objetivos redistributivos e participativos para critérios de risco, retorno e liquidez.
Esta pesquisa busca analisar como esses processos vêm sendo estruturados no Brasil, com ênfase na atuação das securitizadoras públicas e na regulamentação introduzida pela Lei Complementar 208/2024, investigando os mecanismos sociais, jurídicos e institucionais envolvidos na construção social de ativos públicos e impacto dessas dinâmicas sobre a governança e o desenvolvimento urbano.