ENTRE A AUTONOMIA E A ALIENAÇÃO: O DESTINO DO INDIVÍDUO NA CONTEMPORANEIDADE.
Esta dissertação investiga o deslocamento operado pela Teoria Crítica – especialmente em Adorno, Horkheimer e Marcuse – do conceito de sujeito revolucionário coletivo para o conceito de indivíduo, situando tal movimento no contexto histórico do capitalismo tardio e da sociedade administrada. Sustenta-se a hipótese de que esse retorno ao indivíduo não representa uma capitulação teórica nem uma nostalgia do sujeito autônomo burguês, mas antes uma resposta crítica às transformações objetivas que tornaram impraticável a concepção marxiana-lukacsiana do proletariado como sujeito histórico da emancipação. O percurso teórico parte da fundamentação do sujeito autônomo kantiano, compreendido como expressão filosófica do indivíduo burguês emergente. Em seguida, examina a crítica materialista de Marx, que desnaturaliza e historiciza essa figura, deslocando a possibilidade de emancipação para o sujeito coletivo revolucionário: o proletariado. Nesse cenário, a Teoria Crítica diagnostica a crise do sujeito revolucionário e reformula o horizonte da emancipação. Dessa forma, o núcleo da pesquisa concentra-se na radicalização dessa herança pela Teoria Crítica (Horkheimer, Adorno, Marcuse), argumentando que, no contexto da sociedade industrial avançada – caracterizada pela razão instrumental, reificação total e integração repressiva –, ocorre a liquefação tanto do sujeito autônomo kantiano quanto do sujeito revolucionário marxista. A análise demonstra como essa sociedade produz um novo tipo de subjetividade: o átomo social, indivíduo unidimensional, adaptativo e esvaziado de negatividade. A hipótese central sustenta que, diante do bloqueio histórico das formas clássicas de subjetividade emancipatória, a Teoria Crítica opera um retorno paradoxal ao indivíduo, entendido como forma social danificada e não como por portador positivo da emancipação, subsistem resíduos de negatividade e resistência. Nessa experiência do sofrimento e do não-idêntico persiste, como último reduto, a possibilidade de resistência e a centelha de uma utopia negativa, reformulando assim o horizonte da emancipação em condições de dominação total.