Enosamento como práxis política de libertação
A obra de Enrique Dussel é vasta e se atualiza com o tempo. Suas primeiras publicações na década de 1960 formam base fundamental de sua política e estética da libertação, duas áreas de publicações mais recentes. Antropologia Filosófica, Filosofia da História da Filosofia (e filosofia da história), Ética, Pedagógica, Erótica, Filosofia da Cultura, Filosofia da Religião, Filosofia da Produção, Política e Estética são só algumas das áreas do conhecimento que constituem sua Filosofia da Libertação. Se considerada um sistema filosófico, só fará sentido se concebermos que não responde a si mesmo, que não segue uma coerência interna apenas, mas que é um sistema constituído a partir do desenvolvimento histórico e das demandas históricas percebidas por Dussel. Uma filosofia que ouve a palavra da alteridade na história e busca a ela servir, sendo coerente com seu método interno, a filosofia da libertação deste filósofo, historiador e teólogo pode ajudar-nos a buscar caminhos de respostas ao problema motivador desta pesquisa. É por isso que o objetivo primeiro deste trabalho é chegar a uma compreensão de como o conceito de identidade é trabalhado nas obras do filósofo e se esta compreensão oferece caminhos para superar as limitações metafísicas herdadas do pensamento ocidental, no que tange a identidade. A investigação não pretende apenas mapear a construção do conceito em sua obra mas também entender algumas de suas implicações éticas e políticas na constituição de subjetividades contemporâneas, desde essa perspectiva