Projeto e totalização: a práxis e o problema da História em Sartre
A presente pesquisa investiga a interpretação de Sartre acerca da racionalidade dialética da História em Questão de Método, partindo dos conceitos centrais de práxis e projeto. Retomando o mote marxista segundo o qual os homens fazem a História na base de condições anteriores, Sartre procura compreender como a ação humana, simultaneamente, produz o processo histórico e se submete a ele. Essa formulação aponta, por um lado, para o exame da unidade contraditória entre liberdade e necessidade no interior do processo histórico e, por outro, para a passagem do nível individual ao coletivo, isto é, para a possibilidade da totalização histórica a partir de uma multiplicidade de projetos singulares. O problema central da pesquisa consiste em explicar como os conceitos de práxis e projeto fornecem o paradigma de inteligibilidade que permite pensar essas duas dimensões como um movimento unitário e indispensável da História. Para tanto, será necessária uma reconstrução do diálogo crítico de Sartre com o marxismo, seguida de uma análise da práxis e do projeto em Questão de Método, que deve conduzir à exposição das mediações que se interpõem entre o indivíduo singular e as estruturas coletivas. Ao final, procura-se mostrar que a práxis funciona como ponto de inflexão teórica capaz de articular liberdade e História, bem como subjetividade e sociedade, oferecendo uma compreensão crítica da racionalidade dialética.