A questão da técnica em Herbert Marcuse: libertação e repressão ante as influências dos pensamentos alemão e francês do século XX
Herbert Marcuse se caracteriza por um pensador que tem, além de uma importância histórica no seu envolvimento com os movimentos de contracultura dos anos 1960, uma transição por variados temas da filosofia e da sociologia, assim como seus pares integrantes da Teoria Crítica. Marcuse parte da fenomenologia heideggeriana buscando aproximá-la do marxismo, rompe com a primeira para em seguida se debruçar sobre a questão da racionalidade e então chega, na transição dos anos 1950-1960, para discutir as transformações estruturais que o estágio avançado das forças produtivas da sociedade industrial operava sobre a classe trabalhadora. Neste momento, Marcuse volta a se deparar com a questão heideggeriana da técnica, que acabara por se encontrar em uma proposição de negação do mundo contemporâneo para preservar o Dasein. Diante deste impasse - vivido também por Adorno, Horkheimer e outros integrantes da Teoria Crítica - em vislumbrar uma saída para a força das reverberações do desenvolvimento das forças produtivas, Marcuse encontra na filosofia da tecnologia francesa uma saída para o “nó teórico” que envolvia a questão da técnica, identificando, especialmente pela filosofia de Gilbert Simondon, um caráter de dominação mas também de libertação em potência.