Entre a tela e o mundo: Greenberg, Clark e o modernismo de Manet
Este trabalho analisa a obra de Édouard Manet a partir do confronto entre duas tradições críticas centrais do século XX: o formalismo de Clement Greenberg e a história social da arte de T.J. Clark. No primeiro capítulo, reconstrói-se a formação intelectual de Greenberg, situando sua atuação como crítico no contexto norte-americano do pós-guerra. No segundo capítulo, investiga-se a recepção que Greenberg faz da filosofia kantiana, destacando a noção de planaridade como princípio constitutivo da pintura modernista e como chave para sua leitura de Manet. Por fim, o terceiro capítulo demonstra como T.J. Clark incorpora criticamente aspectos da teoria greenberguiana, mas desloca o problema da planaridade para um horizonte mais amplo, em que a forma pictórica é articulada às contradições históricas e sociais da Paris do século XIX. A dissertação busca, assim, compreender os modos como a modernidade pictórica de Manet foi disputada entre duas tradições críticas fundamentais, em que se entrelaçam forma, filosofia e história.