ESTIMATIVA DE BIOMASSA DE VEGETAÇÃO DE FLORESTA SEMIDECIDUAL POR MEIO DE SENSORIAMENTO REMOTO
Dada a crescente preocupação de restauração de áreas florestais nativas como também do mercado de carbono voltado principalmente para a compensação de débitos de carbono, torna-se imprescindível a mensuração do estoque de carbono de áreas estratégicas. Neste cenário, a mensuração da biomassa acima do solo de florestas tropicais, principalmente, de áreas configuradas como hotspot de biodiversidade, apresenta-se como um possível indicador de avaliação de créditos de carbono e também da qualidade de uma floresta em termos de regeneração. Neste sentido, visa-se mensurar a biomassa vegetal de parcelas situadas na Estação Ecológica Barreiro Rico - situada no bioma Mata Atlântica, que seria considerado um dos grandes hotspots de biodiversidade do planeta - por meio de metodologias de mensuração tradicional e por sensoriamento remoto. A partir de levantamentos de imagens de satélite, verificou-se que no ano de 2012 ocorreu um incêndio na estação ecológica e, portanto, foram dispostas três parcelas de 50 x 50 metros, que refletiram a realidade deste incêndio, denominadas totalmente (PTQ), parcialmente (PPQ) e não queimadas (PNQ). Para a realização da mensuração tradicional, inventário florestal expedito, foram catalogados todos os indivíduos arbóreos com circunferência à altura do peito maior ou igual a 16 cm, a 1,30 m de altura a partir do solo. Para a realização da mensuração por meio de sensoriamento remoto, foram realizados dois sobrevoos, levantamento multiespectral e LiDAR, o primeiro em maio de 2023 e o segundo em maio de 2024. A partir do cálculo da biomassa acima do solo por meio dos dados oriundos do inventário florestal expedito, espera-se ter um valor base para o valor de biomassa vegetal da Estação Ecológica Barreiro Rico e, portanto, ao desenvolver a mensuração por meio dos dados provenientes dos drones obter valores de mesma magnitude para a biomassa acima do solo. Ademais, com os dados multiespectrais e RGB desenvolver um protocolo de inventário florestal para a empresa GDrones. Os principais resultados foram em relação às técnicas de sensoriamento remoto para representar a biomassa vegetal e a comparação entre as medições feitas por mensuração tradicional (no campo) e por sensoriamento remoto. Sobre as técnicas de sensoriamento remoto, a comparação entre a elevação normalizada dos retornos LiDAR e os índices espectrais (EVI2 e NDRE) demonstrou diferenças entre a biomassa vegetal das parcelas. Na comparação entre as estimativas de biomassa com base em dados de sensoriamento remoto e dados obtidos no campo, a ordenação das parcelas é semelhante no inventário de campo e nos retornos LiDAR: a densidade de biomassa (campo) em PNQ, com 53,635 Mg/ha, PTQ, com 35,275 Mg/ha, e PPQ, com 28,115 Mg/ha, enquanto que a altura média, o desvio padrão das alturas e o percentil 95 dos retornos LiDAR reproduzem essa mesma sequência; a altura máxima, obtida pelos retornos LiDAR, seria a exceção, ao ordenar a PPQ, de 18,070 m, à frente da PTQ, de 17,077 m, ao contrário do que ocorre nas demais métricas. Já o EVI2 caminha em sentido oposto provavelmente porque responde ao vigor fotossintético da superfície do dossel e não à massa de madeira acumulada abaixo dela. Apesar das limitações, acredita-se que os resultados obtidos demonstram o potencial do uso do LiDAR para estimar biomassa vegetal em áreas queimadas de floresta semidecidual.