Biogeografia, Diversificação e Evolução de Serpentes e Lagartos nas Américas
O continente americano, em especial a região Neotropical, abriga uma das maiores diversidade de vertebrados do planeta, e sua complexa história geológica e climática proporcionam uma região intrigante para estudos em biogeografia. Transformações paisagísticas importantes incluem o surgimento do Istmo do Panamá e a formação da Diagonal de Vegetação Aberta, um corredor de biomas abertos (Cerrado, Chaco e Caatinga) que separa a Amazônia da Mata Atlântica, eventos que impactaram profundamente a distribuição e diversificação da fauna local. Espécies de Squamata e Anura são modelos de estudo ideais para investigar os efeitos desses eventos devido à sua ampla distribuição geográfica na região. No primeiro capítulo, testamos o impacto de traços funcionais (hábito arbóreo, florestal-terrestre ou aberto-terrestre) na história biogeográfica de serpentes da família Viperidae utilizando modelos de estimação de distribuição ancestral em quatro diferente hipótese filogenéticas. Nossos resultados indicam diferentes cenários de evolução do traço e biogeografia dependendo da filogenia utilizada, mas apontam para um ancestral com hábito florestal. Os modelos também indicam uma conquista do Novo Mundo por uma dispersão por salto do sul da Ásia para a América Central, não corroborando estudos anteriores. No segundo capítulo, utilizamos modelos que incorporam características regionais (e.g., área e distância) para testar como as mudanças em paleobiomas das Américas influenciaram as taxas de especiação, extinção e dispersão de serpentes viperídeas. Dos 32 parâmetros implementados no modelo, somente o parâmetro “dificuldade de dispersão entre áreas” e “similaridade de bioma entre áreas” teve uma alta influência nos resultados, mostrando que a taxa de dispersão é maior entre regiões menos distantes e com a mesma cobertura de bioma. Para o terceiro capítulo, testamos as duas hipóteses de surgimento do Istmo (antiga: anterior a 5 milhões de anos atrás; e recente: entre 5 milhões de anos atrás e o presente) com base tanto no tipo quanto na idade dos processos biogeográficos que resultaram nas distribuições atuais de Squamata que ocorrem acima e abaixo do Istmo. Os resultados apontam para um surgimento mais recente do Istmo (entre 5 milhões de anos e o presente). Os próximos passos incluem a adição de Anura para o teste das hipóteses de surgimento do Istmo, e a realização do capítulo 4, que envolve testar se a diagonal de vegetações abertas da América do Sul atuou como um processo vicariante para répteis Squamata da região.