OLHARES DO CAMPO PARA O CÉU: ROMPENDO O SILÊNCIO E ABRINDO AS PORTEIRAS PARA O DIÁLOGO DE SABERES
O silêncio também é uma forma de gritar. A ausência da palavra pode expressar o silenciamento, a invisibilização e as formas de opressão impostas historicamente aos sujeitos e aos seus modos de conhecer. Nesse contexto, este artigo analisa os saberes construídos por homens e mulheres do campo a partir da observação da Lua, das estrelas, das nuvens, dos ventos, dos animais e de outros sinais da natureza, evidenciando sua relação com as práticas agrícolas, a organização do trabalho e os modos de vida da comunidade de Santana, em Cruz Machado, Paraná. Fundamentado na Astronomia Cultural e na Educação Epistemológica Decolonial, o estudo adotou abordagem qualitativa de cunho etnográfico, utilizando formulário, entrevistas semiestruturadas, observação participante, diário de campo, história oral e a “Roda de Prosa e Chimarrão”. Os dados foram analisados por meio da Análise Textual Discursiva. Os resultados evidenciam conhecimentos constituídos na experiência, na memória, nas práticas culturais e na transmissão entre gerações, profundamente vinculados ao território. Esses saberes expressam modos próprios de interpretar e vivenciar o mundo, reconhecendo agricultores e agricultoras como sujeitos produtores e transmissores de conhecimentos. Conclui-se que a Astronomia Cultural, articulada à Educação Epistemológica Decolonial, contribui para uma Educação do Campo contextualizada, plural e comprometida com a diversidade epistemológica, cultural e territorial.