O ENSINO DE ASTRONOMIA NOS ANOS INICIAIS: UM OLHAR PARA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR
O ensino de Astronomia nos anos iniciais do Ensino Fundamental ocupa um espaço no currículo prescrito desde a homologação da Base Nacional Comum Curricular. Entre as orientações do documento e o trabalho desenvolvido nas escolas, há um percurso que envolve conhecimentos docentes, escolhas pedagógicas e condições de trabalho. Essa relação conduz à questão de como as orientações curriculares se relacionam com as experiências narradas pelos professores sobre seus conhecimentos e práticas e quais desafios e possibilidades se evidenciam no cotidiano escolar. O objetivo geral é investigar as relações entre as orientações da BNCC para o ensino de Astronomia nos anos iniciais do Ensino Fundamental e as experiências narradas pelos professores sobre seus conhecimentos e práticas, buscando compreender os desafios e as possibilidades pedagógicas presentes no cotidiano escolar. A investigação adota uma abordagem qualitativa, com percurso metodológico que articula revisão bibliográfica, análise documental, entrevistas individuais com professores dos anos iniciais e uma autonarrativa da pesquisadora. A compreensão do currículo como construção histórica e social fundamenta a leitura das orientações curriculares, em diálogo com os estudos sobre ensino de Astronomia e com a Educação em Ciência, Tecnologia e Sociedade, adotada como perspectiva analítica. As contribuições de Walter Benjamin sobre experiência, narrativa e memória orientam a interpretação das narrativas docentes e a autonarrativa. A tese está organizada no formato multipaper, composta por três artigos. O primeiro artigo analisa os objetos de conhecimento e as habilidades da unidade temática Terra e Universo, do primeiro ao quinto ano, considerando sua correspondência com a Astronomia essencial e suas aproximações com os indicadores de alfabetização científica. O segundo aborda as ações e os desafios docentes relacionados ao ensino de Astronomia por meio das entrevistas, cuja textualização antecede a composição das mônadas, em diálogo com as dimensões do saber e do saber fazer discutidas por Carvalho e Gil-Pérez. O terceiro retoma registros e memórias para interrogar o percurso entre a professora e a pesquisadora e compreender sua participação na construção das questões da investigação. Os resultados parciais da análise documental indicam maior ênfase em observar, identificar, registrar, comparar e associar, enquanto ações relacionadas à elaboração de hipóteses, justificativas, previsões e argumentações nem sempre estão explicitadas. Também identificam possibilidades de discussão das relações entre conhecimentos astronômicos, práticas culturais e tecnologias. A análise das narrativas e a autonarrativa permanecem em desenvolvimento. Até esta etapa, os resultados mostram que a presença do ensino de Astronomia no currículo prescrito oferece possibilidades de trabalho, mas nem sempre explicita as relações necessárias à construção de explicações sobre os fenômenos ou à problematização de suas dimensões sociais e tecnológicas. Essa constatação orienta a aproximação com as narrativas docentes, cuja análise poderá ampliar a compreensão dos desafios e das possibilidades pedagógicas presentes no cotidiano escolar.