O ensino da história das ciências orientado pelos pressupostos da pedagogia histórico-crítica
Este trabalho realiza uma revisão temática e crítica da literatura que relaciona a história da ciência ao ensino científico. Fundamentada no materialismo histórico-dialético e nos pressupostos da pedagogia histórico-crítica, o objetivo central consiste em sistematizar e analisar os argumentos que sustentam o uso da história no ensino, investigando a constituição de um senso comum em torno da validade generalizada dessa abordagem. A metodologia consistiu na identificação e análise das contribuições de autores canônicos e recorrentes na área (Brush; Klopfer; Matthews; Monk e Osborne; Sequeira e Leite), cujos textos foram organizados em eixos analíticos. O primeiro eixo, O diagnóstico da crise no ensino de ciências, evidencia a convergência na crítica ao ensino tradicional, descrito como desumanizado, formalista e descontextualizado. O segundo, As justificativas para a inserção da história no ensino científico, se desdobra em argumentos de natureza epistemológica e de aprendizagem. A análise crítica, orientada pelo método marxista, visa problematizar a aparente potencialidade pedagógica da história da ciência, buscando apreender as determinações filosóficas, epistemológicas e sociais que sustentam as concepções analisadas. Discute-se, a partir das categorias centrais do método, as relações entre trabalho e ciência, processo e produto do conhecimento, bem como a função social da educação. O estudo evidencia que as justificativas recorrentes estão ancoradas em noções como motivação, cidadania e contextualização, bem como no processo de psicologização do ensino e expressam limites das pedagogias não críticas que reproduzem perspectivas idealistas de formação. Assim, propõe-se compreender o aspecto dialético da ciência como o próprio fundamento de sua historicidade, desobrigando o ensino do recurso a abordagens históricas superficiais e destituídas de base teórica consistente.