Otimização de Tarefas de Observação de Fenômenos Terrestres por Constelação de Satélites
O acompanhamento tempestivo de desastres naturais e eventos fenomenológicos depende, em grande medida, do sensoriamento remoto orbital, mas a etapa de tasking — decidir qual satélite observar, quando e com qual prioridade — permanece majoritariamente manual mesmo em programas institucionais maduros, como o International Charter: Space and Major Disasters e o Copernicus Emergency Management Service. Esta dissertação propõe e avalia um framework de simulação e apoio à decisão para a priorização de satélites de observação da Terra no monitoramento simultâneo de múltiplas ocorrências ambientais. O framework propaga trajetórias orbitais a partir de elementos TLE (Two-Line Element, que descreve a posição e a velocidade de um satélite em um dado instante de sua órbita) sob dinâmica de dois corpos, calcula uma função-objetivo multi-termo que combina qualidade de captura, redundância temporal e distribuição espacial sob dois modos operacionais (mapeamento e monitoramento), detecta janelas de oportunidade em séries temporais de cobertura e ranqueia cenários operacionais por dois métodos — uma heurística ad hoc preexistente e o método de decisão multicritério TOPSIS. Durante o desenvolvimento da pesquisa, identificou-se e corrigiu-se uma falha de normalização na função-objetivo original que colapsava a distinção entre os dois modos operacionais em 100% das janelas analisadas nas dez execuções auditadas — achado tratado como contribuição metodológica por si só, e não apenas como correção de implementação. O framework corrigido foi aplicado a quatro estudos de caso multi-zona com relevância social direta (enchente em São Paulo, deslizamento no Rio de Janeiro, furacão em Miami, terremoto em Tóquio e seca em Dubai). Os resultados mostram que a concordância entre a heurística e o TOPSIS varia substancialmente entre execuções (correlação de Spearman entre 0,296 e 0,989, mesmo em cenários nominalmente equivalentes), e que, em pelo menos um caso, os dois métodos recomendam zonas de desastre distintas como prioridade máxima — evidência de que a escolha do método de agregação tem consequência operacional direta, não apenas formal. Conclui-se que o framework proposto é viável como ferramenta de apoio — e não de substituição — à decisão humana em contextos de resposta a desastres, e que a auditabilidade de mecanismos internos de decisão é tão relevante quanto o desempenho algorítmico nesse domínio de aplicação.