PPGCHS PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC Teléfono/Ramal: http://propg.ufabc.edu.br/ppgchs

Banca de QUALIFICAÇÃO: LUCIANA MARIA DE ARAUJO NASCIMENTO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LUCIANA MARIA DE ARAUJO NASCIMENTO
Data: 03/11/2026
HORA: 17:00
LOCAL: Virtual
TÍTULO:

Narrativas femininas: A atual situação das mulheres usuárias de cadeira de rodas no mercado de trabalho


PÁGINAS: 98
RESUMO:

O presente trabalho teve por objetivo geral compreender a atual situação das mulheres usuárias de cadeira de rodas no mercado de trabalho a partir de suas próprias narrativas, ou seja, da perspectiva delas. O estudo teve como parâmetro a questão da interseccionalidade entre gênero e deficiência, levando em consideração a evolução do arcabouço jurídico das últimas três décadas, além de se pautar no modelo social da deficiência, que vem se desenvolvendo desde a década de 1960, em contraposição ao modelo médico, com a participação ativa do movimento feminista no combate tanto ao capacitismo quanto ao sexismo. O estudo procurou investigar como está o acesso ao mercado de trabalho, além de entender a forma como elas se percebem enquanto profissionais por meio das próprias estratégias para lidar com as diversas questões que perpassam a deficiência. Buscou verificar também se elas têm chances de ascensão profissional dentro das empresas. Foi utilizada a metodologia da história oral, onde foram entrevistadas nove mulheres entre 42 e 63 anos de idade, de diferentes Estados do Brasil. Além disso, foi utilizado o método da autoetnografia, no qual a própria autora deste compartilhou a própria experiência, criando assim, uma conexão com a experiência das demais participantes. Por fim, também foram usados dados do censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2022. O estudo demonstrou que, mesmo após mais de três décadas de evolução do ordenamento jurídico brasileiro, as usuárias de cadeira de rodas ainda sofrem pelo capacitismo tanto nos processos seletivos como no ambiente laboral, sendo demonstrado nos relatos das mulheres, bem como na própria experiência da autora. Trata-se de um processo que se inicia no seio familiar, passa pelo sistema de ensino até chegar ao mercado de trabalho; ou seja, o preconceito contra mulheres usuárias de cadeira de rodas é interseccional, assim como estrutural, trazendo para esse grupo uma dupla vulnerabilidade. A dissertação revelou que mulheres usuárias de cadeira de rodas não têm tido chances de crescimento ou ascensão profissional dentro das empresas e, mesmo quando conseguem emprego, podem não conseguir permanecer no mesmo, em razão da falta de acessibilidade nos espaços públicos e até mesmo dentro das empresas. O grau de instrução ou formação acadêmica também não é garantia de inserção no mercado de trabalho. Os dados do IBGE 2022 deixaram claro que mulheres usuárias de cadeira de rodas têm menos acesso ao mercado de trabalho que homens com deficiência, o que demonstra de fato a dupla vulnerabilidade, em razão da interseccionalidade entre gênero e deficiência.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - Interno ao Programa - ***.953.478-** - MARILDA APARECIDA DE MENEZES - UFABC
Membro Titular - Examinador(a) Interno ao Programa - 2222046 - ALESSANDRA TEIXEIRA
Membro Titular - Examinador(a) Externo à Instituição - MARCELO SATURNINO DA SILVA - UEPB
Membro Suplente - Examinador(a) Interno ao Programa - 2419487 - ROBERTA GUIMARAES PERES
Membro Suplente - Examinador(a) Externo à Instituição - JAIME SANTOS JÚNIOR - UFPR
Notícia cadastrada em: 02/10/2026 17:10
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