EMPRESARIZAÇÃO DE SI E VIGILÂNCIA ALGORÍTMICA: as percepções dos entregadores sobre sua prática laboral
Com abordagem qualitativa e objetivos de cunho exploratório, essa pesquisa investiga como os entregadores via aplicativos que atuam na cidade de São Paulo interpretam os seguintes aspectos acerca de sua prática laboral: a) o gerenciamento algorítmico; b) atuação das empresas-plataforma; c) autonomia; d) e o papel do Estado. Parte-se do pressuposto de que, mediante a combinação do discurso de empresarização de si, de sistemas algorítmicos e técnicas de gamificação, as empresas-plataforma ampliam a vigilância e o controle sobre os entregadores e a execução de suas tarefas, bem como modulam substancialmente a forma como estes compreendem seu trabalho, o modo como é realizado e os agentes envolvidos. O tema se demonstra relevante porque há a identificação de que os entregadores estão submetidos um estágio avançado de precarização, em que a promessa de flexibilidade e autonomia é utilizada para dissimular a superexploração e o barateamento da força de trabalho, a hipervigilância algorítmica e ausência de direitos trabalhistas e previdenciários. Como técnica de pesquisa, foi adotada a análise empírico-teórica, para tal, será realizado o cruzamento entre as informações obtidas a partir das entrevistas com entregadores e os conceitos e teorias abordados.