INVISIBILIDADE DA IDOSIDADE DA MULHER NEGRA: GENOCÍDIO OU APAGAMENTO
Este relatório de qualificação investiga a invisibilidade da idosidade da mulher negra no Brasil e discute se ela configura genocídio ou apagamento. A pesquisa propõe a idosidade como categoria analítica que integra a idade aos marcadores de raça, gênero e classe, com base na perspectiva interseccional. O objetivo geral é analisar os efeitos do racismo estrutural no envelhecimento das mulheres negras e examinar de que forma práticas estatais e sociais reproduzem a necropolítica, avaliando a suficiência e a efetivação das políticas públicas voltadas a esse segmento. De natureza qualitativa, o estudo adota a autoetnografia como método e articula a trajetória da autora, mulher negra idosa e ativista, a uma análise documental e bibliográfica de marcos normativos, manifestos de movimentos sociais, relatórios e dados oficiais, examinada pela Análise Crítica do Discurso. O material empírico inclui o I Livro dos Griots do MNU, interpretado como prática de política pública não estatal de cuidado e memória, as crônicas da autora e os registros de rodas de conversa e eventos sobre idosidade realizados desde o ingresso no mestrado. Os resultados parciais indicam que as desigualdades de trabalho, renda, previdência, saúde e educação se acumulam ao longo da vida da mulher negra e se agravam na velhice, e que o tema permanece ausente das agendas dos movimentos feministas e negros, situação que a autora denomina desamparo discursivo. Conclui-se, em caráter preliminar, que a ausência de políticas específicas, somada ao silenciamento, constitui um projeto de morte simbólica e material. Enfrentar esse quadro exige escuta não colonial, inclusão da idosidade no rol da diversidade e formulação de políticas públicas e ações afirmativas que garantam o direito de envelhecer com dignidade. Os capítulos sobre saúde, previdência, solidão, genocídio racial e alternativas em políticas públicas seguem em desenvolvimento.