A EXCLUSÃO DO INTERIOR: RELAÇÕES INTERSECCIONAIS NAS HISTÓRIAS DE VIDA DE PESSOAS PRETAS-SURDAS: DECOLONIALIDADE E REPRESENTAÇÃO SOCIAL
A presente pesquisa investiga formas de exclusão vivenciadas por pessoas pretas-surdas nas relações intracomunitárias da comunidade surda. Interessamo-nos pelo avanço da consolidação de políticas de educação bilíngue, ao mesmo tempo em que analisamos hierarquias e mecanismos de estranhamento no interior do próprio grupo, atravessados por raça, classe, gênero, sexualidade e variações linguísticas. O objetivo geral consiste em analisar formas de exclusão vivenciadas por pessoas pretas-surdas nas relações intracomunitárias da comunidade surda. A coleta de dados será realizada por meio de entrevistas semiestruturadas narrativas (histórias de vida), em Libras, com aproximadamente oito adultos pretos-surdos, selecionados por amostragem em cadeia (bola de neve) (Handcock; Gile, 2011; Vinuto, 2014). As entrevistas serão registradas em vídeo, transcritas para o português com notas sobre recursos não verbais e analisadas por Análise de Conteúdo (Bardin, 2016), com apoio do software Iramuteq (Souza, 2018). O referencial articulou a sociologia bourdieusiana, especialmente a noção de excluídos do interior (Bourdieu; Champagne, 1999), e a perspectiva decolonial (Mignolo, 2003; Quijano, 2005; Walsh; Oliveira; Candau, 2018; Bispo, 2015; 2023), a fim de compreender como capitais simbólicos e linguísticos produzem inclusões e exclusões no grupo. Nesta versão de qualificação, são analisadas preliminarmente duas entrevistas já realizadas, que compõem o corpus inicial da pesquisa. Espera-se que o estudo contribua para o debate acadêmico e a formulação de práticas e políticas mais inclusivas na educação e participação social da população preta-surda.