A CONSTRUÇÃO DE INFRAESTRUTURAS AUTÔNOMAS E ALTERNATIVAS DIGITAIS: UM ESTUDO SOBRE COLETIVOS TECNOPOLÍTICOS LATINO-AMERICANOS (MARIALAB, NÚCLEO DE TECNOLOGIA DO MTST E SEÑORITAS COURIER)
A presente dissertação analisa as relações entre o capitalismo de dados, as epistemologias do comum e as alternativas sociotécnicas emergentes na América Latina, com ênfase em coletivos tecnopolíticos que constroem infraestruturas digitais autônomas. Parte-se de uma crítica à emergência do capitalismo de dados e às suas implicações sociais, para investigar as formas pelas quais diferentes saberes e práticas se articulam em torno da noção de “comum”, disputando os rumos das tecnologias contemporâneas. O trabalho destaca a centralidade do território, da cooperação e do conhecimento situado na formulação de alternativas tecnopolíticas na região. Ao incorporar aportes dos estudos feministas da ciência e da tecnologia, a pesquisa evidencia o modo pelo qual coletivos como a MariaLab — com iniciativas como o “Vedetas” e a “Maria Vilani” —, o Núcleo de Tecnologia do MTST — com projetos como o “Contrate Quem Luta” e o “App da Vitória” — e as Señoritas Courier — com seu aplicativo de cicloentregas — reconfiguram o campo tecnológico, introduzindo práticas de cuidado, segurança integral e soberania digital. Com base em uma abordagem etnográfica, a dissertação conecta debates teóricos e experiências concretas, evidenciando as múltiplas formas pelas quais essas organizações formulam respostas críticas e criativas às dinâmicas de vigilância, exclusão e concentração de poder que caracterizam a era digital.