Entre o Conflito e a Instituição: Juventudes, Violência Escolar e Produção de Desigualdades em Escolas Públicas Baianas
Este projeto investiga a violência escolar no Brasil a partir de uma perspectiva crítica que busca superar a predominância de abordagens que responsabilizam os jovens, especialmente os jovens negros e periféricos, pelo fenômeno. Tomando como ponto de partida levantamentos bibliográficos de autores clássicos e um arcabouço teórico contemporâneo, argumenta-se que grande parte da literatura sobre o tema privilegia explicações centradas na violência interpessoal entre estudantes ou contra o patrimônio escolar, negligenciando a violência institucional praticada pela própria escola por meio de práticas excludentes, relações hierárquicas, processos de desumanização e violência simbólica.
A pesquisa tem como objetivo analisar a evolução das abordagens sobre violência escolar e, simultaneamente, investigar empiricamente como essas dinâmicas se manifestam em escolas públicas da Bahia, escolhida como estudo de caso por sua relevância social, racial e territorial. A hipótese central é que a compreensão limitada da violência escolar, reduzida ao comportamento dos jovens, produz políticas educacionais ineficazes e reforça práticas punitivas que agravam conflitos escolares, enquanto a inclusão da dimensão institucional permite interpretações mais amplas sobre desigualdades, subjetividades juvenis e relações de poder no ambiente escolar.
Metodologicamente, o estudo combina revisão sistemática da literatura com pesquisa quantitativa sobre escolas da rede pública baiana, a partir de analise de dados do Protocolo de Apoio e Proteção Escolar (PAPE) no Sistema de Gestão Educacional da Bahia (SIGEDUC). Ao integrar teoria e empiria, pretende-se contribuir para uma agenda de pesquisa que reconheça a violência escolar como fenômeno multidimensional e estrutural, oferecendo subsídios para políticas educacionais mais inclusivas, dialógicas e capazes de enfrentar desigualdades geracionais, raciais e territoriais.