Repensando tecnologia através do olhar e da luta das mulheres contra a violência no Grande ABC
Embora muitos insistam que a tecnologia é neutra, alheia ao seu entorno, e que apenas uma parcela reduzida da sociedade pode desenvolvê-la, a criação e o avanço tecnológico estão diretamente relacionados à conjuntura política na qual está inserida e seu desenvolvimento se dá cotidianamente pela população. Questionando esta insistência, a Tecnologia Social surge como uma crítica ao processo hegemônico da tecnologia e centra suas análises e atuações nas ações da luta popular de construção sociotécnica. A organização social também se demonstra fonte de avanço tecnológico. Neste contexto, esta pesquisa analisa a experiência de construção e desenvolvimento tecnológico realizada no âmbito do Movimento de Mulheres Olga Benario em duas de suas ocupações na região do ABC paulista: a Ocupação da Mulher Operária: Alceri Maria Gomes da Silva e a Ocupação Helenira Preta Vive! Por Gabriela Mariel Silvério. A estratégia metodológica utilizada foi a pesquisa-ação através de acompanhamentos de campo nas ocupações com observações participantes ao longo de um ano, além de entrevistas semi-estruturadas junto às principais lideranças de cada uma das ocupações. Foi possível analisar diversas experiências tecnológicas contra-hegemônicas e os processos decisórios que levaram aos seus desenvolvimentos. Analisou-se como o movimento lida com a tecnologia, incluindo suas limitações e a reprodução de dinâmicas da divisão sexual do trabalho tecnológico.