ASSOCIAÇÃO ENTRE QUALIDADE DO AR, INTERNAÇÕES POR DOENÇAS RESPIRATÓRIAS E CUSTOS HOSPITALARES EM MUNICÍPIOS PAULISTAS (2017 - 2025)
A poluição atmosférica e as alterações climáticas representam graves ameaças à saúde pública, agravando doenças respiratórias e sobrecarregando os sistemas de saúde. Este estudo observacional, ecológico e longitudinal teve como objetivo analisar a associação entre as concentrações de poluentes atmosféricos (MP₂,₅, NO₂ e O₃), variáveis meteorológicas (temperatura, umidade relativa e velocidade do vento) e desfechos hospitalares respiratórios em nove municípios do estado de São Paulo, entre 2017 e 2025. Foram integrados dados ambientais do sistema QUALAR (CETESB) e indicadores de saúde do SIH/SUS (DATASUS), incluindo taxas de internação, mortalidade, letalidade e custos hospitalares. A análise estatística empregou Modelos Aditivos Generalizados (GAM) e Modelos Aditivos com Restrição de Forma (SCAM) aplicados a dados em painel, separando os períodos não-pandêmico e pandêmico da COVID-19. Os resultados evidenciaram relações não lineares significativas. O ozônio (O₃) apresentou associação com o aumento progressivo da mortalidade e dos custos per capita a partir de limiares de concentração específicos. O dióxido de nitrogênio (NO₂) destacou-se por sua forte correlação com a elevação da letalidade e dos custos por internação, refletindo a maior gravidade clínica e a necessidade de cuidados intensivos. Adicionalmente, identificou-se que a elevação da temperatura e maiores velocidades do vento aumentam substancialmente a mortalidade e os custos. A velocidade do vento, apesar de sua função de dispersão de poluentes primários, amplificou a severidade dos casos, possivelmente devido ao ressecamento da mucosa respiratória (efeito wind chill) e ao transporte de micropartículas irritantes em macroescala. A análise de casos extremos indicou empíricamente que anomalias climáticas e picos de poluição causam elevações drásticas e desproporcionais na morbimortalidade. Conclui-se que as intervenções para a mitigação da poluição do ar devem considerar a complexidade territorial e as interações meteorológicas, fornecendo subsídios quantitativos para o aprimoramento de políticas públicas ambientais e do planejamento em saúde pública.