Avaliação do potencial antileishmania de metabolitos especializados de Ocotea langsdorfii Meins (Lauraceae)
tratamentos disponíveis apresentam limitações relacionadas ao alto custo, citotoxicidade e à incapacidade de erradicar completamente o parasita na forma amastigota, contribuindo para o surgimento de resistência parasitária. Nesse contexto, a busca por novos fármacos mais eficazes, menos tóxicos e economicamente acessíveis torna-se necessária. A química de produtos naturais se destaca como fonte promissora de moléculas bioativas, especialmente compostos com potencial antiparasitário, atuando como importantes modelos para prototipagem molecular. Considerando esse cenário, foi investigado o perfil fitoquímico dos galhos e folhas de Ocotea langsdorffii, espécie ainda inédita sob o ponto de vista fitoquímico. Os galhos foram submetidos à extração ácido-base, obtendo-se um extrato alcaloídico que, após fracionamento cromatográfico em sílica gel 60, forneceu os alcaloides (S)-reticulina e N-metil coclaurina. O extrato metanólico dos galhos também foi submetido à partição em hexano, diclorometano e acetato de etila. A fração diclorometano foi posteriormente fracionada em Sephadex LH-20 e sílica gel 60, permitindo o isolamento dos fenilpropanoides, p-cinamato de metila, ferulato de metila, e sinapato de metila. Em relação às folhas de O. langsdorffii, a fração diclorometano obtida após extração metanólico foi submetida a fracionamento cromatográfico em sílica gel 60 e sephadex LH-20, resultando no isolamento de compostos análogos à afzelina, contendo unidades p-cumaroilas substituindo na ramnose. A identificação estrutural foi realizada por RMN unidimensional (1H e 13C), RMN bidimensional (gHSQC e gHMBC) e comparação com dados da literatura, permitindo a caracterização dos compostos canferol-3-O-α-L-(3,4-di-E-p-cumaroil), canferol-3-O-α-L-(2,4-di-E-p-cumaroil) e canferol-3-O-α-L-(4-E-p-cumaroil). Como perspectivas futuras, pretende-se avaliar a atividade antiparasitária dos compostos isolados frente às espécies Leishmania braziliensis e Leishmania amazonensis, nas formas promastigota e amastigota.