Elaboração de Inventário Parcial de Gases de Efeito Estufa da Universidade Federal do ABC: uma discussão sobre Mobilidade Institucional
A quantificação de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em instituições de ensino superior tem se consolidado como instrumento de diagnóstico ambiental, planejamento institucional e apoio à formulação de estratégias de mitigação. Nesse contexto, as emissões indiretas associadas à mobilidade universitária representam uma categoria relevante e metodologicamente desafiadora, especialmente pela dependência de dados operacionais, levantamentos amostrais e premissas de deslocamento. Este estudo apresenta um inventário parcial de GEE da Universidade Federal do ABC (UFABC), com foco exclusivo nas emissões associadas à mobilidade institucional e acadêmica nos anos de 2023 e 2024. O recorte da pesquisa contempla fontes móveis dos Escopos 1 e 3, incluindo frota oficial, transporte fretado intercampi, transporte eventual, viagens institucionais e deslocamentos casa-campus da comunidade acadêmica. A metodologia segue as diretrizes do Programa Brasileiro GHG Protocol, com aplicação de dados de atividade, fatores de emissão da ferramenta oficial e potenciais de aquecimento global em horizonte de 100 anos (GWP100) do Quinto Relatório de Avaliação do IPCC (AR5) (IPCC, 2013), conforme adotado na ferramenta de cálculo. Também foram elaborados cenários hipotéticos de substituição modal, com o objetivo de avaliar, sob premissas declaradas, o papel relativo do transporte fretado intercampi frente a alternativas individuais motorizadas. As emissões fósseis das categorias baseadas em registros operacionais totalizaram 986,13 tCO₂e em 2023 e 657,70 tCO₂e em 2024, com predominância das fontes indiretas de Escopo 3. No inventário institucional ajustado, a mobilidade correspondeu a 55,21% das emissões fósseis consideradas em 2023 e a 28,16% em 2024. A análise da comutação baseou-se nas respostas consideradas válidas ao Questionário de Perfil Discente da Graduação de 2024, equivalentes a 60,79% da população de graduação, e indicou que os deslocamentos regulares podem representar uma fonte expressiva de emissões indiretas. Os resultados visam subsidiar a gestão da mobilidade universitária, aprimorar a rastreabilidade metodológica do inventário e contribuir para elaboração de estratégias institucionais de mitigação alinhadas ao Plano de Logística Sustentável da UFABC e aos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.