Toxicidade da associação dos inseticidas malationa e lambda-cialotrina com o composto natural geraniol: estudos em Artemia franciscana e in vitro
O uso intensivo de inseticidas, embora essencial para o controle de pragas agrícolas e urbanas, leva a preocupações quanto aos impactos ecotoxicológicos e à saúde humana. Este estudo avaliou a toxicicidade dos inseticidas malationa (organofosforado) e lambda-cialotrina (piretróide), isoladamente e em associação com o monoterpeno geraniol, utilizando diferentes modelos biológicos, como Artemia franciscana, linhagens celulares e microrganismos de interesse médico. Os resultados demonstraram toxicidade significativa de ambos inseticidas, sendo a malationa mais tóxica quando comparada a lambda-cialotrina nas análises de eclosão e mortalidade em A. franciscana, além de provocar redução na atividade locomotora e na expressão de genes relacionados a estresse. Por outro lado, a lambda-cialotrina nas menores concentrações promoveu aumento na expressão dos mesmos genes. A atividade mitocondrial e a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) também foi reduzida nesses animais em ambos os inseticidas. Em relação aos estudos in vitro com linhagens celulares, os resultados revelaram que todas as concentrações de malationa ou esta combinada ao geraniol promoveram alta toxicidade, reduzindo a viabilidade de HepG2, uma linhagem de hepatócitos tumorais. Por outro lado, a lambda-cialotrina foi tóxica apenas em HepG2 quando administrada isoladamente, mas, em associação com o geraniol, intensificou os efeitos tóxicos. Em microrganismos, os testes de crescimento em meio líquido indicaram que a malationa inibiu o crescimento de todas as cepas nas maiores concentrações, mas apresentou inibição apenas em Bacillus megaterium quando associada ao geraniol, enquanto a lambda-cialotrina estimulou o crescimento de B. megaterium, mas inibiu significativamente Escherichia coli e Staphylococcus epidermidis em concentrações elevadas e em associação com o geraniol. Todos os resultados, em conjunto, reforçam a necessidade de reavaliação do uso combinado de compostos naturais com inseticidas e destacam a importância de estudos integrativos na análise de riscos ambiental e toxicológico.