ESTUDO DA PROTEÍNA BAG2 EM RESPOSTA AO ESTRESSE CELULAR INDUZIDO POR BREFELDINA A
O estresse do retículo endoplasmático (ER) é um componente central na fisiopatologia de diversas doenças neurodegenerativas, influenciando vias de proteostase e a dinâmica de chaperonas e co-chaperonas. A proteína BAG2, conhecida por atuar na degradação independente de ubiquitina via proteassomo 20S, permanece pouco caracterizada no contexto de estresse celular e secreção não convencional. Esta dissertação investiga a modulação de BAG2 em resposta ao estresse induzido por Brefeldina A (BFA), um inibidor do tráfego ER–Golgi amplamente utilizado como modelo de estresse celular e colapso do secretoma.
Inicialmente, estabeleceu-se um modelo celular de supressão de BAG2 por CRISPRi em células H4. A eficiência do knockdown foi confirmada por RT-qPCR, revelando uma redução robusta da expressão de BAG2 em comparação às células controle (redução média de ~98%; p < 0,0001). A seguir, avaliou-se o impacto da BFA sobre a viabilidade celular. Ensaios XTT mostraram redução dependente da concentração de BFA, mais pronunciada na linhagem H4 CRISPRi BAG2, indicando maior susceptibilidade ao estresse quando BAG2 está reduzida. Em concentrações baixas de BFA (0,01–0,1 µg/mL), observou-se aumento discreto da atividade metabólica em células H4, sugerindo possível resposta adaptativa.
A distribuição subcelular de BAG2 foi analisada por imunofluorescência. Em condições basais, BAG2 apresentou padrão predominantemente perinuclear. Após tratamento com BFA, observou-se redistribuição significativa da proteína, com acúmulo concentrado em regiões perinucleares semelhantes a agrossomas. A análise quantitativa confirmou aumento localizado da intensidade de BAG2 nessas estruturas (p < 0,05), evidenciando reorganização da co-chaperona diante do estresse estrutural e proteotóxico induzido por BFA.
A expressão gênica de BAG2 também foi modulada pelo tratamento: RT-qPCR mostrou redução significativa dos níveis de mRNA após 24 h de exposição à BFA (p = 0,0261), sugerindo que o estresse do ER afeta não apenas a distribuição, mas também a expressão transcricional da co-chaperona.
Por fim, avaliou-se a presença de BAG2 no meio extracelular. Western blotting revelou acúmulo significativo de BAG2 na fração extracelular em comparação ao lisado intracelular (p = 0,0021), indicando secreção verdadeira de BAG2. A detecção de BAG2 extracelular mesmo na presença de BFA sugere que sua liberação pode envolver vias de secreção não convencionais, independentes do eixo ER–Golgi.
Em conjunto, os resultados demonstram que BAG2 é fortemente modulada durante o estresse induzido por BFA, apresentando alterações de expressão, redistribuição subcelular para regiões agrossomais e secreção para o espaço extracelular. Esses achados contribuem para a compreensão do papel de BAG2 na resposta ao estresse celular e levantam a hipótese de que a co-chaperona pode integrar mecanismos de adaptação proteostática que incluem vias alternativas de secreção.