Novas abordagens no estudo da raiva: modelos celulares e teste sorológico em papel filtro
A raiva é uma doença causada pelo Lyssavirus rabies (RABV) que é cada vez
mais disseminada e transmitida por morcegos. O Brasil está entre as áreas
mais ricas do planeta em diversidade de morcegos com 186 espécies de 9
famílias que contribuem grandemente com a predação de insetos, dispersão de
sementes e polinização. O ciclo aéreo da raiva vem apresentando grande
crescimento no país, o que torna de grande importância a constante vigilância
epidemiológica nesses hospedeiros e principalmente propor alternativas de
diagnóstico para melhor entender a relação entre vírus-hospedeiro. Este
trabalho teve como objetivo a detecção de anticorpos contra raiva em
morcegos; a utilização de duas novas linhagens celulares de morcegos
(Desmodus rotundus e Carollia perspicillata) para propagação do RABV e o
desenvolvimento de um teste alternativo de diagnóstico sorológico em papel
filtro. Foram selecionadas 138 amostras de morcegos para a detecção de
anticorpo contra a raiva e estas amostras foram processadas pelo Teste Rápido
de Inibição de Focos Fluorescentes (RFFIT). Apenas uma amostra (1/138) teve
resultado positivo. Foi realizada a titulação viral do RABV em três linhagens
celulares diferentes: BHK-21 (rim de hamster recém-nascido), FKDR (rim fetal
de Desmodus rotundus) e rim de Carollia perspicillata. O RABV foi capaz de
infectar as duas linhagens celulares de morcegos além da linhagem celular
padrão BHK-21. Foram utilizadas 12 amostras de soros de bovinos
previamente testados pela técnica de RFFIT; 4 positivos, 4 negativos e 4
positivos fracos (título baixo). Essas amostras foram transferidas para discos
de papel filtro (2 cm de diâmetro) e variáveis foram aplicadas para todas e
realizadas em microtubos: a) tipo de eluente a ser utilizado (PBS ou líquido de
diluição); b) tempo de incubação do disco no eluente (1 hora ou 24 horas); c)
quantidade de eluente (100 ul ou 200 ul); d) quantidade de discos (1 disco ou 3
discos). Após aplicação das variáveis, os discos foram retirados dos microtubos
e o eluente de cada amostra foi processado na técnica de RFFIT. Como
resultado, as 4 amostras positivas obtiveram resultados positivos, assim como
as 4 amostras negativas permaneceram negativas. As 4 amostras positivas
fracas obtiveram resultados negativos. Este estudo demonstrou a possibilidade
do envio de amostras em papel filtro visando um transporte mais fácil e
armazenamento que não requer refrigeração. O estudo também demonstrou a
importância da utilização de novas linhagens celulares afim de contribuir com
modelos experimentais mais próximos das condições naturais de manutenção
do RABV.