Análise metabolômica não direcionada de atletas de vôlei transgênero e cisgênero com alto nível de treinamento
Pessoas transgênero se identificam com um gênero diferente daquele que lhes foi atribuído ao nascimento e, por isso, muitas recorrem a intervenções médicas, como a terapia hormonal de afirmação de gênero, uma intervenção endócrina que busca alinhar as características fisiológicas à identidade de gênero com a qual a pessoa se identifica. Apesar dos avanços em termos de visibilidade e participação em diversos âmbitos sociais, pessoas trans ainda enfrentam preconceitos e desafios significativos, entre eles a inclusão no esporte, seja em contextos amadores ou profissionais. A presença de atletas transgênero em competições tem gerado intensos debates e levantado questionamentos sobre critérios de elegibilidade, parâmetros físicos e possíveis vantagens de desempenho em comparação a atletas cisgênero que competem nas categorias feminina e masculina. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo realizar uma análise metabolômica untargeted do plasma de atletas amadores de vôlei, transgênero e cisgênero, por meio de cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas de alta resolução, com posterior análise dos dados utilizando os softwares MS-DIAL e MetaboAnalyst. Foram coletadas 20 amostras de plasma: 6 de mulheres trans, 8 de mulheres cis e 6 de homens cis. Até o momento, as análises não supervisionadas, como a Análise de Componentes Principais (PCA), indicaram baixa variação analítica e alta variação biológica. Este estudo contribui para a compreensão das características metabolômicas de atletas transgênero em comparação a atletas cisgênero, podendo subsidiar o desenvolvimento de políticas esportivas mais justas. Pesquisas futuras com maior tamanho amostral são necessárias para aprofundar os achados e compreender os impactos da terapia hormonal de afirmação de gênero sobre o desempenho esportivo.