CONTRIBUIÇÃO DA SINALIZAÇÃO PURINÉRGICA NAS ALTERAÇÕES VASCULARES EM MODELOS DE LESÃO RENAL AGUDA INDUZIDA POR ISQUEMIA E TOXINA URÊMICA
A lesão renal aguda (LRA) é caracterizada pela súbita diminuição da função renal, desencadeando inflamação sistêmica e acúmulo de toxinas urêmicas (TU), que promovem alterações cardiovasculares. Entre essas toxinas, o indoxil sulfato (IS) destaca-se por contribuir para o estresse oxidativo, a disfunção endotelial e o remodelamento cardiovascular. A sinalização purinérgica exerce papel central na regulação da inflamação e da função vascular, sendo o receptor P2X4 um importante mediador da resposta endotelial ao estresse de cisalhamento. Alterações nessa via podem potencializar os efeitos da LRA e do IS. Em estudo anterior, demonstramos que a LRA promove desregulação das ectonucleotidases e aumento da expressão de receptores P2 na aorta de camundongos (Stabile, 2024). Além disso, durante o trabalho desenvolvido no mestrado, verificamos que a administração intraperitoneal de IS reduz significativamente os transcritos de citocinas e do receptor P2X4 na aorta de camundongos. No presente projeto, buscamos elucidar os mecanismos envolvidos na resposta combinada da cirurgia de isquemia e reperfusão (IR) somada à presença da TU. Desta maneira, os efeitos da LRA por IR combinados ao acúmulo de IS foram avaliados em modelos in vivo (camundongos C57BL/6) e in vitro (células HK-2). No modelo animal, após cirurgia de IR unilateral e 15 dias de reperfusão, foram avaliados parâmetros funcionais renais e vasculares, marcadores inflamatórios sistêmicos e os componentes do sistema purinérgico na aorta. Observamos aumento nos níveis de ureia e creatinina, além de variações nos parâmetros morfométricos renais. No plasma, houve incremento nos níveis de todas as citocinas avaliadas. Na aorta torácica, verificou-se aumento nos transcritos de citocinas pró- e anti-inflamatórias e de receptores purinérgicos P2, com especial destaque para a diminuição dos níveis de P2Y6 e P2X4. No modelo celular, células HK-2 foram submetidas à IR por câmara de hipóxia e privação de meio (PBS + cálcio) durante 8 horas, seguidas de 24 horas de reperfusão. A viabilidade celular foi avaliada pelas técnicas de MTT e SRB. Observou-se redução da viabilidade das células HK-2 em função da hipóxia, enquanto os níveis de IL-6 no sobrenadante aumentaram em resposta ao IS. Em conjunto, os resultados obtidos sustentam a hipótese de que a interação entre LRA e IS desencadeia alterações inflamatórias e purinérgicas capazes de comprometer a homeostase vascular distante do sítio isquêmico. A continuidade do projeto permitirá determinar como fatores liberados por células tubulares lesionadas afetam o endotélio e se essas alterações se traduzem em prejuízo funcional da reatividade vascular.