Dinâmica da conectividade funcional global na resistência às obsessões e compulsões em crianças e adolescentes com TOC
Os principais sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) são as obsessões (pensamentos intrusivos, por exemplo) e os comportamentos compulsivos. O grau de resistência e controle dos sintomas obsessivos e compulsivos é um critério clínico relevante para avaliar a gravidade do TOC. A principal escala de gravidade desse transtorno, a Yale-Brown Obsessive Compulsive Scale (Y-BOCS) inclui questões que medem a resistência e o controle do indivíduo em relação aos sintomas. Recentemente, a metaestabilidade do sinal de Ressonância Magnética Funcional (fMRI) do encéfalo tem sido explorada como possível marcador de estados cognitivos relacionados à função executiva e flexibilidade cognitiva. O presente projeto tem como objetivo avaliar a hipótese de relação entre o grau de resistência e controle aos sintomas de TOC e as assinaturas de metaestabilidade calculadas sobre dados de fMRI. Para isso, foram utilizadas duas amostras previamente coletadas de crianças e adolescentes com TOC com dados de fMRI. Na primeira amostra (n = 22), os resultados mostraram que uma menor severidade dos sintomas compulsivos está associada a maior magnitude da variação da metaestabilidade na rede motora, com direção de associação contrária na rede visual. Já na segunda amostra (n = 7), menor chance de o indivíduo não resistir aos sintomas compulsivos se associou à maior metaestabilidade global em repouso. Os resultados sugerem relações plausíveis entre a metaestabilidade global e nas redes motoras e visuais com sintomas compulsivos em crianças e adolescentes com TOC.