Efeitos dos alcaloides beta-carbolínicos harmina e harmalina em modelos de neuroinflamação e estresse oxidativo in vitro e in vivo
A neuroinflamação e o estresse oxidativo possuem um papel fundamental na fisiopatologia de doenças neurodegenerativas. Desta forma, substâncias que atuam na modulação desses processos constituem agentes profiláticos e terapêuticos promissores. A harmina e a harmalina são alcaloides beta-carbolínicos encontrados nas espécies Banisteriopsis caapi e Peganum harmala que têm mostrado potencial anti-inflamatório, antioxidante e neuroprotetor. A resposta inflamatória pode ser induzida pelo lipopolissacarídeo (LPS), um ligante do receptor Toll-like 4 capaz de desencadear uma resposta imunológica que leva à ativação microglial. Além disso, é bem sabido que a via de resposta antioxidante Nrf2-ARE interage com a resposta inflamatória, e a ativação dessa via tem sido relatada como um mecanismo importante para agentes antioxidantes e anti-inflamatórios. Considerando a interação entre neuroinflamação e estresse oxidativo, este estudo tem como objetivo avaliar o potencial antioxidante e anti-inflamatório da harmina e da harmalina in vitro e in vivo. Neste trabalho, determinamos o perfil de citotoxicidade das beta-carbolinas em células das linhagens SH-SY5Y, BV-2 e HepG2-ARE. Além disso, avaliamos o perfil de liberação de IL-6 por células BV-2 desafiadas com LPS, a fim de definir as condições ideais para as avaliações subsequentes. O screening farmacológico utilizando as células repórter HepG2-ARE mostrou que ambas as beta-carbolinas induziram a via de sinalização NRF2-ARE de modo concentração-dependente. Além disso, a harmina e a harmalina diminuíram os níveis de IL-6 no sobrenadante de células BV-2 desafiadas com LPS. Em relação ao modelo in vivo, realizamos dois estudos piloto na tentativa de padronizar o modelo de déficit cognitivo induzido por LPS em camundongos. No entanto, o modelo não induziu respostas comportamentais e fisiológicas satisfatórias. Desta forma, nas próximas etapas de execução deste projeto, iremos dar continuidade aos estudos in vitro, complementando a dosagem de citocinas e determinando outros marcadores de interesse associados à resposta anti-inflamatória e antioxidante em células BV-2. Além disso, investigaremos os efeitos do sobrenadante dessas células desafiadas com LPS em células SH-SY5Y tratadas com as beta-carbolinas. Por fim, propomos uma alternativa ao modelo de déficit cognitivo induzido pelo LPS, visto que o mesmo não se mostrou reprodutível nas nossas condições experimentais.